Verão
por Akácia Rybeiro
05 de fevereiro de 2012

Quantidade de palavras: 219

Quando você se foi para longe, vi partir com você parte de minha face, que agora oscila esmaecida pelos desfalques do tempo. Fiquei a margem, a espera que assim como o sol que se esmaece com a vinda da tempestade, e dos dias frios, você esperasse que o inverno transcendesse e regressasse novamente.

Contudo, dessa vez, havia algo além do inverno que regelava os ossos, havia também o descaso e a renuncia do que tínhamos vivido. O abandono de nós.

A amiúde singularidade da solidão apoderará de seus ossos como a doença ruim. Tomara conta de seu sorriso iluminado e o depusera entre os que não crêem na redenção.

Temi por seu coração sangrento, temi por sua indiferença mascarada, por suas culpas adjacentes, não haveria sutura para suas feridas, não haveria redenção para o mausoléu que construirá em torno de si enquanto seu corpo vivo não clamava por auxílio.

 


Bangalo | Crédito: Andrea Andrade
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No começo sua atitude execrável, me tornou inacessível, até que compreendi, seu abandono era minha prova de fogo, para minhas feridas haveria remédio se abandonasse você.

Enfrentei e degluti o inverno que me dilacerava e abandonei nosso idealismo falido. As línguas quentes do verão por um tempo foram causticantes, aprendi a sobreviver no fogo, veja se puder ver de sua rocha de gelo, sim, são línguas de fogo que me rodeiam.